Os outros
Eles me dão voz pra gritar
enquanto tentam arrancar-me
os dedos e decepar-me as mãos.
Eles me dão armas pra lutar
enquanto tentam me destruir,
vestindo a melhor máscara da falsidade.
Eles me fazem alegres
quando tentam roubar
a minha serenidade
com impulsos de emulações.
Eles me trazem paz
quando mais alto gritam
pelejando a minha ruína.
E mesmo com todos os percalços,
não deixo de buscar o sol,
não deixo de sentir a brisa no rosto…
Eu molho uma rosa na janela,
sonho um sonho de um pequenino,
eu vejo bichos nas nuvens,
vejo a lua, como se eu ainda fosse um menino.
Eu estendo a mão
para uma borboletinha
ousada pousar…
Eu estouro bolhas de sabão
com o nariz…
Se um dia desses
eu deixar que os outros
tomem o leme da minha
embarcação,
toda a minha vida terá
sido em vão,
viverei entre os outros, então.
Serei os outros,
se eu abandonar
a minha verdade.
Allan Emmanuel Ribeiro

