Fulana de cinza
A que foi e ainda é
A que ainda escuto
Há de ser absoluto
Tara, amor e café
Que se vê de longe
Que se tem ao certo
que se quer de perto
Que me faz um monge
Fulana, pura cor
Por quem eu pelejo
A quem só desejo
Eu, passarinho, ela, flor
Se ela surta, não sei
Talvez furta-cor
Que de um doce amor
Melhor me encontrei
Sua santa é de fé
Sua força é apelo
Seu cheiro, cabelo
Seu colo, cafuné
Cicrano não sou
Nem cinza, a Fulana
Pura cor, soberana
E pra si me chamou
A que tanto me ama
Eu, afluente, ela, foz
Eu, preso, ela, algoz
E me mata na cama.
Allan Emmanuel Ribeiro

