Desmemória

Desmemória

Quando minha busca por ti
eu abandonar,
Quando os meus olhos
já estiverem cegos da sua imagem
e não mais te encontrarem,
Quando eu não mais erguer a minha face
para ver-te através das cortinas
tecidas pelas circunstâncias da vida,
Quando eu não te ver mais como
a mais terna e doce criança que
muitas vezes me derretia 
com um simples olhar,
Quando o meu coração não mais acelerar
a ponto de saltar do peito ao sentir tua presença,
Quando minhas pernas
não mais tremerem em convulsões
com o toque de tuas mãos,
Quando não mais sentir o gosto do suor
escorrendo do teu corpo lambuzado,
Quando não mais tu fores 
a mais longínqua e mais buscada
glória com que tenho sonhado…

Estarei em plena ascensão
para lançar-te ao voraz e gélido
fosso do esquecimento.

Allan Emmanuel Ribeiro

Decantação