Sou a promessa na candura
de uma verdade de criança.
Sou o vale que entre montes
jorra as águas da esperança.
Um sonho eterno e inefável
de uma divina profanação.
Rio que desce e mata a sede
da terra seca do meu sertão.
Sou uma cigarra cantadeira
que canta triste a sua dor.
Sou o recanto onde à sombra
repousa calmo um trovador.
Sou a canção que vai ao vento
e leva o beijo de um beija-flor.
E ao relento, violando o peito,
decanta o verso o cantador.
Allan Emmanuel Ribeiro