Le passé et l’avenir
Já não sei o que faço,
já não sei o que penso,
já não sei o que falo,
já não sei se me existe bom senso…
Quase não consigo dormir!
Já não elevo os meus olhos na imensidão do infinito,
e nem reflito mais no horizonte das minhas tardes.
E, com o fim dessas mesmas tardes,
vão-se, momentaneamente, pedacinhos de mim…
Por que não fiquei com as lembranças
das minhas milhões de delícias?
Por que não me contentei com a desgraça da dúvida? Por quê?
Tem tanta estrela brilhando no céu das possibilidades…
Já não sei se o que me oprime é o frio da incerteza,
ou o calor das súplicas da curiosidade.
Se lanço minhas hesitações na latrina do passado,
construirei um castelo de entusiasmos.
Se cavo um túmulo para as interrogações,
subirei num palco de insólitos prazeres.
Allan Emmanuel Ribeiro

