Numa tarde de domingo, após as religiosas aulas de inglês, fui agraciado com essa maravilha de poema declamado de forma belíssima pela professora Maria, nacional da Hungria.
Ao final, transcreverei o poema em sua forma original, a tradução feita pela professora Maria, um pouco sobre o autor, o romantista Petöfi Sándor, e o objeto do poema, o rio húngaro Tisza.
Apreciem!
Petőfi Sándor – A Tisza
Nyári napnak alkonyúlatánál
Megállék a kanyargó Tiszánál
Ott, hol a kis Túr siet beléje,
Mint a gyermek anyja kebelére.
A folyó oly símán, oly szelíden
Ballagott le parttalan medrében,
Nem akarta, hogy a nap sugára
Megbotoljék habjai fodrába’.
Síma tükrén a piros sugárok,
Mint megannyi tündér, táncot jártak,
Szinte hallott lépteik csengése,
Mint parányi sarkantyúk pengése.
Ahol álltam, sárga föveny-szőnyeg
Volt terítve, s tartott a mezőnek,
Melyen a levágott sarjú-rendek,
Mint a könyvben a sorok, hevertek.
Túl a réten néma méltóságban
Magas erdő, benne már homály van,
De az alkony üszköt vet fejére,
S olyan, mintha égne, s folyna vére.
Másfelől, a Tisza túlsó partján,
Mogyoró- s rekettyebokrok tarkán,
Köztök egy csak a nyílás, azon át
Látni távol kis falucska tornyát.
Boldog órák szép emlékeképen
Rózsafelhők úsztak át az égen;
Legmesszebbről rám merengve néztek
Ködön át a mármarosi bércek.
Semmi zaj, az ünnepélyes csendbe
Egy madár csak néha füttyentett be;
Nagy távolban a malom zúgása
Csak olyan volt, mint szúnyog dongása.
Túlnan, vélem átellenben épen,
Pór menyecske jött, korsó kezében;
Korsaját míg telemerítette,
Rám nézett át; aztán ment sietve.
Ottan némán, mozdulatlan álltam,
Mintha gyökeret vert volna lábam;
Lelkem édes, mély mámorba szédült
A természet örök szépségétül.
Ó természet, ó dicső természet!
Mely nyelv merne versenyezni véled?
Mily nagy vagy te! Mentül inkább hallgatsz,
Annál többet, annál szebbet mondasz.
Késő éjjel értem a tanyára
Fris gyümölcsből készült vacsorára;
Társaimmal hosszan beszélgettünk,
Lobogott a rőzse-láng mellettünk.
Többek között szóltam én hozzájok:
“Szegény Tisza, miért is bántjátok?
Annyi rosszat kiabáltok róla,
S ő a föld legjámborabb folyója.”
Pár nap múlva fél-szendergésemből
Félrevert harang zúgása vert föl;
“Jön az árvíz! Jön az árvíz!” hangzék,
S tengert láttam, ahogy kitekinték.
Mint az őrült, ki letépte láncát,
Vágtatott a Tisza a rónán át,
Zúgva, bőgve törte át a gátot,
El akarta nyelni a világot!
(Pest, 1847. február)
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Tradução:
Petöfi Sándor – A Tisza
Num dia de verão, ao anoitecer
Parei perto do rio sinuoso, chamado Tisza
Lá onde o pequeno Túr se apressa nele,
Como a criança corre até o peito da sua mãe.
O rio tão suavemente, tão mansinho
fluía para baixo no seu leito.
Não quis que o raio do sol
Tropeçasse nas suas ondas espumantes.
No seu espelho liso, os raios vermelhos.
(Como se fossem um monte de fadas)
Quase se ouvia o som dos seus passos,
Como se fossem pequenas esporas.
Onde eu estava parado, um tapete amarelo
Se estendia em direção a campina,
Em que o capim cortado,
Como as linhas no livro, se deitava.
Depois da campina numa dignidade muda
Floresta alta: nele já há a penumbra,
Mas o amanhecer baterá na sua cabeça
E ficará como se queimasse e sangrasse.
Do outro lado do Rio Tisza
Arbustos coloridos de avelãs e rosáceas
Entre eles apenas uma abertura, através dela
Pode se ver a torre da igreja dum vilarejo distante
Como lembrança bonita de horas felizes
Nuvens rosas flutuavam no céu
De longe me contemplavam
Através da névoa os penhascos de mármores
Nada de ruído. No silêncio solene
Um pássaro assoviava ocasionalmente.
De longe o barulho do moinho
Parecia apenas como zumbido de mosquito.
De longe, da minha direção oposta,
Uma jovem de meia idade carregava um jarro
E enquanto ela enchia seu balde,
Olhou para mim, por cima: e então partiu apressadamente.
Lá estava eu, silencioso e parado,
Como se meus pés tivessem criado raízes.
Minha alma estava em êxtase doce e profundo
Pela beleza eterna da natureza.
Oh natureza! Oh gloriosa natureza!
Qual idioma ousaria competir contigo?
Como tu és grandiosa! Quanto mais muda permaneces,
Tanto mais linda tu falas.
Tarde da noite, cheguei ao rancho
Para o jantar feito de frutas frescas
Com meus amigos muito eu conversei
E ao nosso lado crepitava uma fogueira.
Entre tantas coisas eu lhes disse:
“Pobre Tisza, porque vocês o tratam tão mal?
Tantas coisas ruins são lançadas sobre ele,
E ele continua o rio mais piedoso da terra”.
Poucos dias depois, eu estava cochilando
Quando as badaladas do sino me acordaram.
– Enchente chegando! – Enchente chegando! Soava!
E eu vi o mar, assim que olhei para fora.
Como um louco que arrancou suas correntes,
Galopava o Tisza através do planalto…
Berrando, rugindo quebrava as barreiras,
Como se quisesse engolir o mundo.
Pest, fevereiro de 1847.
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Sándor Petőfi, nascido Sándor Petrovics (Kiskőrös, 1 de janeiro de 1823 – Segesvár, 31 de julho de 1849) foi um poeta húngaro do Romantismo. Iniciou muito jovem a sua trajectória literária, criando uma poesia revolucionária em temas e formas mas na tradição poética do seu país. Os temas fundamentais da sua lírica foram o amor e a liberdade. Escreveu um extenso poema narrativo titulado János, o herói ou João o paladino (János Vitéz) (1845). Faleceu em 1849 na batalha de Segesvár actualmente Sighişoara, na Roménia), uma das batalhas da guerra da independência húngara de 1848 e é hoje reconhecido entre os magiares como herói e poeta nacional. (Fonte: Wikipédia).
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Rio Tisza (lê-se tissa, dito Tisia na antiguidade, Tisa em romeno, Тиса (Tysa) em ucraniano, Tisa em eslovaco, Tisza em húngaro e Тиса (Tisa) em sérvio) é o segundo rio mais importante da Hungria. Nasce na Ucrânia, toca a fronteira com a Eslováquia, e desagua no rio Danúbio. O rio quando nasce na Romênia é chamado de Szamos e quando passa para o território da Hungria passa a se chamar Tisza. Tem 1.358 km de comprimento e a sua bacia hidrográfica é de 157 183 km². É navegável na maior parte do seu percurso. O Tisza sempre foi um rio sujeito a inundações, tendo sido alvo no século XIX de alterações do leito de modo a impedi-las, sob iniciativa de István Széchenyi. (Fonte: Wikipédia).
