Lugar comum

L u g a r   c o m u m

Você me pede pra eu dizer, e avaliar, 
o que de você eu sei, e de nós, enquanto vivemos.
Não lembro muito de mim, nada de tão relevante, 
do meu jeito instável é que me lembro mais!

Lembro-me sobretudo da intensidade que nos envolvia,
dos seus lábios, da sua alma, do seu sabor, 
dos nossos intervalos, dos seus beijos,
das viagens nas noites em que nos permitíamos
tantos goles de um merlot qualquer…

Você me pede agora pra eu lembrar
de quando eu era o café, você o chá;
de quando eu era a onda, você a espuma; 
de quando eu era puro devaneio, você a minha verdade;
de quando eu era só desejo e você imersa em gozo;
de quando eu era a cama, você o cobertor; 
de quando eu era o seu peito, você o meu encosto;
de quando eu era o seu assento e você o meu lugar comum…

Se é interessante a minha visão,
é curioso o seu pedido, 
pois se você ainda for a saudade,
eu sou todo coração.

Allan Emmanuel Ribeiro

Lux aeterna

Sem noção…