Sou mais um na multidão,
gritando, correndo
desesperado na contramão.
Sou a seca do Nordeste.
Sou o sol cálido, o pó,
o mato, o sertão…
Sou o rio. Sou pejo.
Sou medo. Sou paixão.
Sou uma ave cantadeira.
Sou um poeta. Sou coração!
Sou um crápula, entre tantos outros.
No palco de falsas encenações,
sou mais um útil insignificante.
Sou o que luta pela paz,
o que clama pela vida,
o que peleja contra a fome.
Sou um sólido morteiro.
Sou um cangaceiro.
Sou o lábio sem o beijo.
Sou a abelha sem a flor.
E nesse labirinto de iniquidades,
sou só mais um na escuridão,
sem gás
sem matula
a procura de um lampião.
Sou dor expressiva.
Sangue e linfa eu sou.
Sou a alma viva.
Infinita soul…
Allan Emmanuel Ribeiro
Ibotirama-BA, 04/set/1998
