Trovas medievais do fundo do sertão nordestino

Princesas, cavaleiros, fidalgos, reis, castelos, mitos, donzelas, raptos e fugas etc. Esses são alguns dos pilares que enfeitam o mundo mágico das trovas melodiosas que brotam da música de Elomar.

O cancioneiro de Elomar nasce nas margens do Rio Gavião, defronte da Serra da Carantonha, na Fazenda Gameleira, do fundo do Sertão nordestino e ecoa atravessando terras devastadas pelas secas, rios secos, mares da imaginação, memórias longínquas, saudades incertas e o tempo.

Eu só tive acesso às belíssimas composições de Elomar, ao acervo “completo” (o que se é possível encontrar nas prateleiras virtuais, pois Elomar continua a produzir. Muita coisa ainda está por vir!), em Salvador, contudo, meus ouvidos já se rendiam às carícias de suas canções desde quando eu tinha 12 anos de idade quando, naquela época, eu esboçava os meus primeiros contatos com as lições musicais na prazerosa função de saxofonista da Sociedade Filarmônica 27 de Maio, em Ibotirama-BA.

Cada vez que ouço seus acordes medievais, descubro algo novo, energia que consegue me transportar pra alguns lugares, lindos, inóspitos, mágicos, encantados, enfim, aquela sensação de viagem para lugares que, não obstante não existam, parecem familiares. E isso é uma das coisas que me fazem ser um devoto da intensa criatividade musical de Elomar. Isso sem falar da técnica de linguagem que ele utiliza, de acordo com cada melodia.

Recentemente, de posse das duas últimas obras de Elomar, “Sertanilias” e “A Era dos Grandes Equívocos”, além de já ter me debruçado diversas vezes sobre o “Auto da Catingueira”, entrei muito mais no imaginário literal e crítico Elomariano para, muito mais, serpentear esse vasto e quimérico mundo que fez de mim um completo devotado de suas obras.

Bom, eu poderia utilizar todo o espaço desse blog pra tecer comentários acerca das ricas características lítero-musicais do “Bode Velho” e ainda assim seria pouco. Além do mais, o que eu conheço é ínfimo, considerando o gigantesco arcabouço produtivo do Menestrel das Caatingas. Mas o certo é que tenho uma enorme satisfação de procurar cada vez mais conhecer e ouvir e mergulhar nesse mundo mágico que seu cancioneiro constrói em minha cabeça.

De mais a mais, sou grato a Deus por ter tido a oportunidade de estar frente a frente com esse gigante da música trovadoresca e trocar com ele uns dedinhos de prosa em algumas ocasiões. Riquíssimo, encantador, admirável e genial Elomar Figueira Melo.

Finalizo homenageando esse brilhante cantor, compositor, poeta, escritor, romancista, cordelista, rapsodo, menestrel, arquiteto, violonista e cavaleiro com uma canção que reúne alguns daqueles sustentáculos que fazem parte do conjunto da sua obra.

O rapto de Joana do Tarugo
Elomar Figueira Mello

https://www.youtube.com/watch?v=UUkUJRzDbO0

Da peleja pra viver

Pecado impenitente!