Ela, Vênus!
Ela vem lentamente
como uma pluma
ziguezagueando na brisa.
Ela vem atentamente
feito uma águia no céu
destinada a sua presa.
Ela vem tontamente
igual a uma aranha
tecendo a armadilha.
Ela vem loucamente
como uma cadela perdida,
sem dono, sem rumo…
Ela vem perfumadamente
tal qual uma gardênia
e espalha um éter que entontece.
Ela vem avidamente.
Uma dama da noite
que embebeda a minha alma!
Ela vem firmemente
como um vento forte
que me arrasta até o espiral.
Ela chega igual a um polvo
e me envolve
e me agarra
e me puxa pra boca
e me leva pra o fundo do mar.
Ela chega como um raio
e me assusta,
e me eletrifica
e me queima o juízo
e fulmina toda a minha força.
Ela chega, um escorpião
que me engana
e me ataca
e me caminha
e me faz morrer em seu veneno.
Ela chega, um abelha – a rainha –
e me rodeia
e me pousa
e me fava
e me lambuza com seu mel.
Ela chega, uma borboleta
que me voa
e me esvoaça
e me brisa
e me leva docemente pra o seu jardim.
Ela chega, um Sol
que me brilha
e me bronzeia
e me aquece
e me faz amanhecer.
Ela chegou, uma Vênus!
E me orbitou
e me encantou
e me dominou
e me faz gozar
nas espumas do seu Pantheon…
Allan Emmanuel Ribeiro

