Janela aberta pra súplica de um canário.

Numa janela alta e aberta
que dava para o por do sol,
no cair duma tarde incerta,
lá cantava em tom bemol,

Um canário espantado

na gaiola apertada e fria,
minúsculo cúbico quadrado
que engabelava sua alegria.

Olhando o céu alaranjado,

bastante alto ele cantava,
batendo asas desesperado
pra ver se voo levantava.

Mas o pobre do bichinho
mesmo naquela prisão,
bem longe do seu ninho
entoava linda canção.

Naquele triste instante,

o canário pôs-se a assobiar
E num canto relutante
começou a suplicar…

Dizia ele que não entendia

porque nos ares não estava
pois era tudo o ele queria,
mas a gaiola não deixava.

Trinava ainda mais alto

para carregar no vento
para os montes e planalto
sua angústia e sofrimento.

Preso na gaiola da janela

um pesadelo vive o canário
de ter de morar numa cela
de um criador sanguinário.

E, se por milagre ou sorte,
sua súplica ao céu chegar,
seu canto será passaporte
para Deus o libertar!

Um dia voará em liberdade

e cantará alegre o canarinho
que hoje morre de ansiedade
de viver como um passarinho.

 Allan Emmanuel Ribeiro

Abraço da sensibilidade…

Confronto com o mundo das recordações.